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sábado, 27 de outubro de 2012

Escolhas

Reunião - "Escolhas" - 26.10.2012
Filme: "Mr Nobody" (Sr. Ninguém)
"Enquanto você não escolher, tudo permanecerá possível"

Quem escolheu "não ir" para a reunião pode sentir o gostinho da discussão que tivemos ontem. O trailer abaixo dá uma pitadinha desse fantástico e "angustiante" filme. 




Saímos cheios de interrogaçõs, mas nossa vida é assim mesmo. Sempre que estamos em dúvidas sobre que direção tomar devemos nos fazer uma pergunta: "Há nesse caminho um coração?"

"Sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso.
Opte pelo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências." 
Osho

Para que possamos ruminar nossas dúvidas durante o final de semana (ou durante o resto da vida), gostaria de compartilhar esse poema de Robert Frost. Eis a sua escolha:

"Duas estradas separavam-se num bosque amarelo,
que pena não poder seguir por ambas numa só viagem:
muito tempo fiquei mirando uma até onde enxergava,
quando se perdia entre os arbustos;
depois tomei a outra, igualmente bela e que teria talvez maior apelo,
pois era relvada e fora de uso; embora, na verdade,
o trânsito as tivesse gasto quase o mesmo,
e nessa manhã nas duas houvesse folhas que os passos não enegreceram.
Oh, reservei a primeira para outro dia!
Mas sabia como caminhos sucedem a caminhos
e duvidava se alguma vez lá voltaria.
É com um suspiro que agora conto isto.
Tanto tempo já passado:
Duas estradas separavam-se num bosque e eu
Eu segui pela menos viajada
E isso fez a diferença toda."
 Robert Frost

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Atualizando

Tá na hora de dar uma sacudida nesse blog. Depois de um tempo afastados das reuniões e, consequentemente, do blog, voltamos com força total. Desde o EREM já tivemos 6 reuniões, sendo que cinco delas foram filmes e uma delas foi a "segunda" edição do OSCE junto ao professor Thiago Trindade.

Segue nossa Prestação de Contas:

22.05.2010 - filme Procurando Nemo. Reunião realizada no auditório do hospital Luiz Antônio, certamente emocionou os presentes.





04.06.2010 - filme A Caixa. Neste filme voltamos a discutir ética, estando no centro da discussão o livro Entre quatro paredes de Jean-Paul Sartre.


01.07.2010 - Junto ao professor Thiago Trindade do PAAB VII o grupo atuaou como pacientes atores durante atividade simulada no modelo OSCE. Essa foi a segunda participação do AMARTE nessa atividade e a terceira atividade de simulação realizada pelo grupo.


09.07.2010 - discussão do filme Opium. Certamente um dos filmes mais intrigantes de nossas reuniões, foram abordados a loucura, as terapias psiquiátricas e ética médica.

 14.07.2010 - Filme: Estão todos bem. Em início de férias assistimos a esse interessante relato da vida em família, ao final da discussão acabamos descubrindo quantos problemas semelhantes entre o filme e entre nós mesmos que temos, não é mesmo?

25.09.2010 - O útimo filme assistido pelo grupo emocionou a todos. Diário de uma paixão nos fez refletir sobre o significado do Amor e até que ponto nós nos envolvemos em nossos relacionamentos.


segunda-feira, 19 de julho de 2010

"O médico" e Rubem Alves

Neste dia 26/03/2010 discutimos os rumos do A.M.A.R.T.E. neste ano de 2010 e aproveitamos para assistir um vídeo produzido pelo CRM do Paraná a partir de uma crônica de Ruben Alves sobre o quadro "O médico" de Sir Luke Fields. Segue abaixo o texto original:

O médico à procura do ser humano

Antigamente a simples presença do médico irradiava vida. Antigamente os médicos eram também feiticeiros. “Mestre, diga uma única palavra, e minha filha será curada...”. A vida circulava nas relações de afeto que ligavam o médico àqueles que o cercavam. Naquele tempo os médicos sabiam dessas coisas. Hoje não sabem mais.

Aquele médico ao lado da menina: não se parece ele com um cavaleiro solitário que vai sozinho lutar contra a morte? Naquele tempo os médicos sabiam qual era seu destino. Havia muito sofrimento, sim.

Havia muito medo, sim. Medo e sofrimento são parte da substância da vida. Mas nunca soube de um médico que ficasse estressado. Não são as batalhas que produzem o estresse. As batalhas, ao contrário, dão coesão, pureza, integração ao corpo e à alma. O cavaleiro solitário é um herói com o corpo coberto de cicatrizes mas de alma inteira. Os estressados são aqueles que, sem ter uma batalha a travar, são puxados em todas as direções por uma legião de demônios.

A imagem do cavaleiro solitário que luta contra a morte é uma imagem romântica. Bela. Comovente. Quem não desejaria ser um? Criticam o romantismo. Fernando Pessoa comenta: mas não é verdade que a alma é incuravelmente romântica? O médico de antigamente era um herói romântico, vestido de branco. As jovens donzelas e as mulheres casadas suspiravam ao vê-lo passar. Ainda bem que a consulta permitia o gozo puro do toque da sua mão...

O cavaleiro solitário que luta contra a morte é um santo. Quem, jamais, ousaria pensar qualquer coisa de mau contra o médico? Hoje são comuns os processos contra os médicos por imperícia. Ser médico transformou-se num risco. Porque ninguém mais acredita na sua santidade. Talvez porque eles tenham deixado mesmo de ser santos... Mas, naquele tempo, as pessoas julgavam que o médico era um santo, e porque as pessoas pensavam assim, eles eram santos.

Eu me apaixonei pela imagem. Queria ser feiticeiro. Queria ser o cavaleiro solitário que luta contra a morte. Queria ser o santo. E esse ideal, para mim, não era uma abstração. Ele tinha um nome: Albert Schweitzer – um dos homens mais geniais do século XX. Organista, escritor, teólogo, fez um trato com Deus: até os 30 anos, faria essas coisas que lhe davam prazer cultural. Depois, iria se dedicar inteiramente aos sofredores. Entrou para a escola de medicina aos 30 e, depois de médico, passou o resto da vida num lugar perdido das selvas africanas, construiu um hospital de madeira e sapé onde distribuía alívio da dor. Claro, nunca ficou rico. Nem teve estresse. Sua bela imagem o fazia feliz. Ganhou o prêmio Nobel da Paz.

Não fui médico. Mas segui pela vida encantado por aquele quadro. O encanto foi quebrado quando fui fazer meu doutoramento nos Estados Unidos. Um dia fui ouvir uma palestra do diretor do hospital da cidade de Princeton, NJ, onde eu estudava. Ele começou sua preleção com esta afirmação que estilhaçou o quadro: “O hospital de Princeton é uma empresa que vende serviços”. “Meu Deus”, eu pensei. “Aquele médico não existe mais”.

E percebi que, agora, os médicos se encontram lado a lado com os prestadores de serviço, os encanadores, os eletricistas, os vendedores de seguro, os agentes funerários, os motoristas de táxi. É só procurar na lista de classificados. A presença mágica já não existe. O médico é um profissional como os outros. Perdeu sua aura sagrada. E me veio, então, uma definição do médico compatível com a definição que o diretor dera para o hospital de Princeton: “um médico é uma unidade biopsicológica móvel, portadora de conhecimentos especializados, e que vende serviços”.

Essa imagem, em absoluta conformidade com as condições sociais e econômicas do mundo moderno, não fez nada comigo. Não me comoveu. Não desejei ser igual. O mito de Narciso, eu acho, é o mito mais profundo. Todos nós, como Narciso, estamos em busca da nossa bela imagem. Mas para ver a nossa bela imagem temos necessidade de espelhos. Espelhos são os outros. É no rosto dos outros que vemos a nossa própria imagem refletida. Nos tempos antigos todas as pessoas eram espelhos para o médico. Todos o conheciam. Todos olhavam para ele com admiração. Hoje, morto o médico do quadro, o médico é agora procurado não por ser amado e conhecido, mas por constar no catálogo do convênio.

Seus espelhos não são mais os clientes, parentes, todo mundo. São os seus pares: colegas de empresa, sócios de consultório, congressos. Perigosas, essas relações entre pares. O primeiro assassinato registrado foi de um irmão que matou o irmão. A relação do médico antigo com seus espelhos era uma relação de gratidão e admiração. A relação do médico de hoje com seus espelhos é uma relação de inveja e competição. Acho que os médicos, hoje, são infelizes por causa disto: eles resolveram ser médicos por desejar ser belos como o cavaleiro solitário, puros como o santo, e admirados como o feiticeiro. Era isso que estava dentro deles, ao tomarem a decisão de estudar medicina. E é isso que continua a viver na sua alma, como saudade...

É. A vida lhes pregou uma peça. E hoje a imagem que eles vêem, refletida no espelho, é a de uma unidade biopsicológica móvel, portadora de conhecimentos especializados, e que vende serviços... Os médicos sofrem por saudade de uma imagem que não existe mais.

Rubem Alves

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Discutindo o amor

Na tarde de 20/11/2009 o grupo AMARTE, 20 dias depois de assistirmos ao filme "Uma Prova de Amor", reuniu-se para discutir as questões levantadas diante daquele emocionante drama:

1- O sentimento da mãe é amor?
2- É ética a indicação do médio e a atitude dos pais em ter outro filho para salvar a vida do irmão? Até que ponto a ética pode agir em nome do amor?
3- Quem amava mais Kate (a filha com leucemia)? Os irmãos ou a mãe?
4- Será que houve conflitos de intresse do advogado no caso? Se ele não fosse epiléptico, se interessaria da mema forma?
5- Segundo Kluber Rosso, em Sobre a Morte e o Morrer, o paciente terminal passa por cinco fases: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Em qual dessas fases a mãe se encontrava? e a menina Kate?

De forma democrática demonstramos nossos posicionamentos e opniões diversas surgiram, sendo os pontos de maior discussão o Amor da mãe e a Éica quanto ao aconselhamento médico.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Suicídio

"É um ato de publicidade: a publicidade do desespero."
Fernando Sabino in Suíte Ovalliana







Deus nos deu uma boca e dois ouvios. Por que mesmo assim ouvimos menos que falamos? O suicida fala nas entrelinhas. Pede, grita por socorra. Infelizmente nós não temos a capacidade de ouvir. Ninguém tem paciência para prestar atenção ao outro.


Segundo Marcimedes Martins "o suicidado pratica um ato de comunicação e não um gesto solitário e que, além de tudo, é uma comunicação para uma sociedade que o impede de comunicar-se de outras formas que não seja através deste gesto."

Muitas vezes somos levados a pensar que o suicídio é o ato em si. Mas se pensarmos como Kalina e Kovadloff, que publicaram em 1983 que o suicídio é um processo teremos uma visão mais ampla desta questão filosófica, teológica e médica. Para eles cada sujeito que se mata, significa que a proposta comunitária fracassou (mais uma vez o suicídio não é um ato solitário). Para a sociedade atual eles entendem o suicídio como a existência tóxica: a vida vivida de forma que o ser humano esteja se matando no cotidiano, todos se matando em comum acordo através de uma maneira de viver perigosa para a saúde. Uma existência tóxica é uma vida envenenada porque vive daquilo que a aniquila, promove e perpetua a alienação humana e fomenta o apoio às contradições que a destrõem.



Enquanto aos médicos? Segundo revisão bibliográfica de Richings JC, Khara GS e Mc Dowell M. a taxa de suicídio entre médicos é maior que a população em geral em todas as partes do mundo. As principais causas para essa assustadora realidade são: 1) médicos tendem a negar o estresse de natureza pessoal; 2) médicos tendem a negar o desconforto psicológico; 3) inclinações suicidas são acobertadas (tratamento mais difícil); 4) médicos elaboram, mais freqüentemente, esquemas defensivos (fecham-se para qualquer intervenção terapêutica eficaz); 5) negligência da família e dos colegas (ele é médico, sabe se cuidar); 6)os médicos têm o meio do suicídio ao alcance das mãos (métodos mais eficazes para o êxito).
O tema suicídio surgiu naúltima reunião da A.M.A.R.T.E. e ele não poderia deixar de ser discutido, afinal em todos os filmes que assistimos ele estava presente. Mas no encontro deste dia 16 de janeiro de 2009 também nos reunimos para planejar ações. Temas como: Encontro de Medicina e Arte, Ação no Hospital, Jornal da A.M.A.R.T.E. e Projeto de Pesquisa; foram colocados em pauta. Apesar da tormenta que encharcou Natal em menos de 24h, estiveram presentes: Bruno Pessoa, Emily Anne, Thiago josé, Sérgio Oliveira, Fernando Claudino, Ritwell e Edilson Pinto.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Amizade


"O vosso amigo é a resposta às vossas necessidades.
Ele é o campo que cultivais com amor e colheis com gratidão.
E é o vosso apoio e o vosso abrigo.
Pois ides até ele com fome e procurai-lo para terdes paz."
O profeta, Khalil Gilbrant

"Os verdadeiros amigos
Do peito, de fé
Os melhores amigos
Não trazem dentro da boca
Palavras fingidas ou falsas histórias
Sabem entender o silêncio
E manter a presença mesmo quando ausentes"
Amizade Sincera, Renato Teixeira
"Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam 'não'"
Canção da América, Milton Nascimento
"Foi Deus, quem consagrou você e eu
Para sermos bons amigos, num só coração"
Amigos Pela Fé, Anjos de Resgate
Os textos acima (e muitos outros) foram utilizados na segunda reunião da A.M.A.R.T.E. (26/12/2008), cujo tema era a Amizade.

Mas afinal de contas, por que a gente tem amigos? Qual sentimento nos move a sentir necessidade sermos íntimos de uma pessoa que não tem vínculo conosco? Por que esse sentimento nos torna capaz de sacrificar nossa vida em favor de outrem? Podemos dizer que algumas dessas duvidas foram esclarecidas a partir da discussão destes textos. Talvez fosse mais fácil para o professor responder àquela pergunta depois desta reunião (quem sabe).

Ainda é interessante ressaltar que a reunião se deu em local distinto. Na impossibilidade de realizarmos o encontro nas dependências da UnP, dirigimo-nos ao Parque das Dunas. Enfim, o que seria um contratempo tranformou-se numa oportunidade de aproximarmos a Medicina e Arte de sua origem.


Após nossa conversa sobre amizade, ainda traçamos as estratégias de ação da A.M.A.R.T.E. Uma idéia bem-vinda foi a confecção de um jornal para socializarmos as ações do grupo (um das conseqüências desta idéia é o Blog que você está lendo). Ainda decidimos por começar nossas atividades práticas com crianças (aplicação de atividades de gravura e fotografia). A última idéia seriam questionamentos com estudantes de arte (o que é medicina?) e estudantes de medicina (o que é arte?) para ver até que ponto as respostas se distanciam ou sobrepõem.
Estiveram presentes ao encontro: Ana Hélbane, Ariadne Cruz, Bruno Pessoa, Edilson Pinto, Emily Anne, Fernando Filho, Thiago Trindade e Sergio Pontes, os quais concordaram que deveríamos fazer mais uma reunião ainda antes do fim do ano. Portanto, a próxima reunião ficou marcada para o dia 30/12/2008 (terça-feira) .